segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Coisa de modas
Nos últimos dias existem inúmeros temas do qual poderiamos tecer considerações, desde o velhinho que cai da maca, do doente com prioridade amarela que morre (provavelmente de tanto esperar), ou simplesmente do anedótico bombeiro de Alijó...
O tema que realmente me apetece falar é sobre a miséria em que caiu o nosso ensino de enfermagem.
Se em 1997 enquanto aluno eu já me queixava das docentes extremamente teóricas e na altura pedia um ensino de qualidade, a supervisão das instituições, um maior apoio de acção social escolar, estava eu longe de imaginar o descalabro que iriam ser os anos seguintes.
Quando passamos a ser um curso com a duração de 4 anos perdemos a oportunidade de realizar alterações significativas na estrutura curricular dos cursos de forma a garantir o melhor ensino possível. Poderiamos ter aproveitado este momento para fazer uma rede integrada de escolas de forma a coordenar os locais de estágio, teria sido também uma boa ideia chamar à enfermagem, nomeadamente à Ordem a tutelagem e supervisão dos estabelecimentos de ensino, regulamentando e limitando também as condições para abetura de novas escolas.
As especialidades com excepção de obstétricia e talvez reabilitação simplesmente não existem na forma prática. Nos serviços apesar de terem um papel que diz que são especializados o seu trabalho em nada difere dos graduados ou enfermeiro nível 1... Custa dizer isto, mas as especialidades nos moldes em que são feitas só servem para as escolas ganharem dinheiro e mais nada, porque o contributo que estas trazem para a profissão é nulo.
Coloquem um profissional que trabalhe há 10 anos numa urgência ao lado dum profissional que trabalha ha dois e que depois tirou uma especialidade e vejam quem tem mais saber ser ou saber fazer.....
Nos dias de hoje não interessa saber, interessa ter um papel... Não sei porque criticaram o "Eng" Socrates por ter arranjado um papel se todos andam atrás do mesmo. Não se escolhe a escola pela sua credibilidade e seriedade, escolhe-se a escola que facilita mais o atingir do nosso objectivo em ter um papel.
Talvez não estivessemos preparados para ter uma licenciatura, talvez tenhamos perdido uma oportunidade de dignificar o nosso ensino dando desta forma credibilidade a nossa profissão.
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