segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Inteligência PROCURA-SE

Parece que muita gente estava incomodada pelo Dr Cunha Ribeiro e pelo INEM. A nossa população tem muito que crescer, continuamos a ser um povo de desgraçados intelectuais.... preferem serem atendidos num local sem condições, por um médico pouco preparado para situações emergentes, preferem ser transportados por um bombeiro bêbado... enfim...Olhem para o Presidente da Camara de Anadia.... olhem para os episódios com os bombeiros de Alijó e Favaios... E digam-me sinceramente se é isso que querem! A Emergência Médica no Pré Hospitalar não pode estar dispersa... tem que ser controlada pelo Inem, não pode depender de voluntários, tem que ser assegurada por profissionais da área da saúde! Mas as alterações mexiam com muitos interesses.... Cada vez mais tenho a certeza que a democracia não funciona! Tem que haver alguém a mandar, sobretudo para um povo tão estúpido como o nosso! A comunicação social não informa, apenas relata aquilo que vende noticias e as pessoas não são capazes de ter o discernimento de separar a verdade da mentira! Será assim tão difícil de entender que as reformas estavam a ser feitas de forma a aproximar a população de equipes especializadas no atendimento de situações emergentes no pré hospitalar? É difícil de entender que o tratamento dessas situações poderia ser iniciado no local da ocorrência e ser transportado por equipas especializadas já para um local onde pudesse ser convenientemente tratado?!!! Mas não tenho ilusões, a nossa situação não vai melhorar, vamos continuar a ser um povo de pobres coitados!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Sindicatos, está na altura de defenderem os nossos interesses

Os sindicatos deveriam representar e denfender a classe que representa, mas como na enfermagem acontece tudo ao contrário, os sindicatos defendem os seus próprios interesses e depois os interesses partidários. Os enfermeiros aparecem em terceiro lugar se o conflito de interesses não lhe for desfavorável. A minha opinião é que os sindicatos não foram capazes de acompanhar as mudanças dos tempos... ainda pensam que ir para a rua com uma bandeirinha a gritar uns slogans com mais de 30 anos vai resolver o que seja. Os enfermeiros neste momento possuem uma panoplia tão diversificada de problemas que é díficil encontrar um problema comum... sem ser o dinheiro! Temos os problemas dos CAP, CTC, Recibos verdes, CTI... enfim, depois temos os problemas especificos dos hospitais E.P.E., S.A.... e finalmente especificos em cada serviço! ACHAM SINCERAMENTE QUE OS SINDICATOS CONSEGUEM DAR RESPOSTA? EU NÃO!!! (Isto para não falar num crescente sector privado onde o sindicalismo simplesmente não existe e os direitos básicos dos seus trabalhadores são simplesmente pisados! Mais um indicativo que os sindicatos não acompanharam os tempos!) A meu ver deveriam ser constituídas comissões de enfermeiros, eleitos pelos seus pares, em cada estabelecimento de saúde de forma a fazerem um levantamento dos seus problemas e tentarem resolve-los com os CA! O sindicato apenas serviria como apoio logistico, cabendo-lhe as funções de realizar negociações em problemas que fossem comuns a todos... questões salariais, carreiras...etc... Eu as vezes que vi os delegados sindicais no meu hospital foi em altura de eleições ou para distribuirem papelinhos!!! Já viram o poder que seria enviar uma reclamação individual de cada enfermeiro sindicalizado para o ministério da saúde por exemplo no problema actual do descongelamento da carreira? juntamente com a carta um e-mail? As greves surtiam muito mais efeito se fossem locais porque as pessoas identificar-se-iam com os seus problemas! Se as reclamações não tivessem resposta em tempo útil ameaçar com a entrada em tribunal de processos individuais.... ja viram o que seria entrar 20.000 ou mais queixas nos tribunais? Temos que lutar de forma inteligente! Não é ir para a rua fazer papel de empregada fabril a agitar bandeirinhas... Voces não vem os engenheiros, ou advogados, magistrados na rua.... Actualizem-se!! Façam-no pela enfermagem

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Falta de iniciativa

Estava a conversa com um colega e ele utilizou a seguinte expressão "não nos pediram nada, pelo que também não podem exigir..." !! Eu fiquei estúpido com a afirmação! Podemos concluir que se não nos exigirem.. nos também não fazemos nada! Ou seja somos um grupo de pau mandado, sem ideias, sem iniciativas. Mas realmente o que ele disse reflecte a maior parte da nossa profissão... só fazemos alguma coisa mediante um mandato ou pelo papel que eventualmente nos vão dar... Existe tantos campos em que poderíamos realizar iniciativas, desde os cuidados de saúde primários até o aproveitar da moda dos cuidados paliativos para marcarmos o nosso terreno perante a população e outras classes profissionais. Nos cuidados de saúde primários poderíamos ir às escolas, realizar ensinos para a saúde, promover iniciativas com públicos alvo (diabéticos, hipertensos....), sei lá, um número ilimitado de coisas que está ao nosso alcance! Mas nós preferimos estar no gabinete a fazer crochet. Nos cuidados paliativos é o local ideal para realçar o papel do enfermeiro. O médico pouco ou nada lá vai fazer, o utente e familia precisam é de cuidados de enfermagem para que o seu fim de vida seja o mais digno possível... Mas infelizmente os enfermeiros andam distraídos....

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Incentivos

Este é o assunto da moda.... os incentivos a trabalhar! É muito bom que se comece a investigar para onde e para quem vai os incentivos... se calhar a população ficava a saber umas coisas engraçadas sobre os nossos colegas médicos.. Para que os leitores tenham uma ideia de como isto funciona vou dar um exemplo do que aconteceu no hospital S. João em diversas áreas da transplantação. O HSJ já teve a autorização necessária para efectuar os transplantes de fígado, no entanto acabou por perde-la porque no último relatório anual sobre a transplantação hepática foi claro que se fartavam de trabalhar...tendo sido realizado ZERO transplantes... apenas colheitas de órgãos... imaginem então todo o dinheiro que foi ganho em casa à espera de um telefonema que nunca aconteceu... chamada pevenção... Outro episódio caricato foi quando se iniciou o transplante autologo de medula... havia uma escala de (alguns) médicos de prevenção para eventuais complicações que nunca eram chamados porque inclusive a partir de determinada altura as listas com os profissionais deixaram de estar expostas...com medo possivelmente que os chamassem... era um dinheiro muito fácil de ganhar... para terem ideia só essa prevenção era mais que o ordenado do enfermeiro. O mais engraçado de tudo é que isto era feito com o conhecimento do Presidente do CA do hospital, que coincidentemente era director do serviço... há coisas que dão jeito. Depois com o desenrolar do tempo, possivelmente relacionado com uma denûncia houve algumas alterações. Por outras palavras, e citando o vulgo popular, "ou toda a gente mama, ou não há moralidade" passou a ser atribuído o famigerado incentivo... mas a piada da coisa é que não é igual para todos... quem realmente lucra é o sr dr médico enquanto que o sr dr enfermeiro apenas fica com umas migalhinhas e todo contente... tipo caridade. Para ser mais claro, enquanto que o enfermeiro recebe 190 euritos... o médico vai para os 2000 e qualquer coisa... mesmo quem não trabalha directamente com o doente recebe... nem que seja o chefe de enfermagem ou o dr do laboratório. Outra questão nos transplantes é a quem é feito... existem critérios, mas será que são cumpridos?

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Dança da cadeira

O Ministro da Saúde foi afastado do seu cargo, mas parece-me que brevemente muito gente vai sentir saudades do Sr. Correia de Campos.... Apesar da ilustre senhora que vai ocupar o lugar dele já ter referido que pouco vai mudar, é evidente que o Sr "Eng" Sócrates vai conseguir ganhar algum tempo com esta manobra. As danças da cadeira costumam fazer correr muita tinta... Passado algum tempo já ninguém se lembra porque é que foi a mudança... O ex Ministro teve a coragem que os seus antecessores nunca tiveram. Iniciou um projecto reformador a nível nacional, não foi só as reformas das urgências, foi também mexer nas estruturas de gestão hospitalar e se calhar o maior desafio deste senhor foi enfrentar os médicos em muitas situações... é graças a ele que na maioria dos hospitais o sr doutor passou a picar o ponto... ou como é feito agora a pôr o dedo... Todos se lembram como era antes... olhem para o Hospital St Antonio, só os empregados de segunda picavam o ponto... Isso agora acabou.. Na reestruturação do pré hospitalar deu a oportunidade aos enfermeiros de ter um papel activo, situação que de inicio não estava prevista, uma vez que outra classe profissional se preparava para ficar com essas funções. Demonstrou confiança e defendeu as capacidades do enfermeiro mais que uma vez publicamente. Como é evidente nem tudo foi rosas.... a reestruturação talvez terá sido um pouco precipitada, mas a pressão orçamental é muita... os interesses instalados são maiores do que a gente imagina... Não vou dizer muito mal porque os defeitos podem ver nos jornais e televisão... mas pensem e façam uma análise crítica...

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Coisa de modas

Nos últimos dias existem inúmeros temas do qual poderiamos tecer considerações, desde o velhinho que cai da maca, do doente com prioridade amarela que morre (provavelmente de tanto esperar), ou simplesmente do anedótico bombeiro de Alijó... O tema que realmente me apetece falar é sobre a miséria em que caiu o nosso ensino de enfermagem. Se em 1997 enquanto aluno eu já me queixava das docentes extremamente teóricas e na altura pedia um ensino de qualidade, a supervisão das instituições, um maior apoio de acção social escolar, estava eu longe de imaginar o descalabro que iriam ser os anos seguintes. Quando passamos a ser um curso com a duração de 4 anos perdemos a oportunidade de realizar alterações significativas na estrutura curricular dos cursos de forma a garantir o melhor ensino possível. Poderiamos ter aproveitado este momento para fazer uma rede integrada de escolas de forma a coordenar os locais de estágio, teria sido também uma boa ideia chamar à enfermagem, nomeadamente à Ordem a tutelagem e supervisão dos estabelecimentos de ensino, regulamentando e limitando também as condições para abetura de novas escolas. As especialidades com excepção de obstétricia e talvez reabilitação simplesmente não existem na forma prática. Nos serviços apesar de terem um papel que diz que são especializados o seu trabalho em nada difere dos graduados ou enfermeiro nível 1... Custa dizer isto, mas as especialidades nos moldes em que são feitas só servem para as escolas ganharem dinheiro e mais nada, porque o contributo que estas trazem para a profissão é nulo. Coloquem um profissional que trabalhe há 10 anos numa urgência ao lado dum profissional que trabalha ha dois e que depois tirou uma especialidade e vejam quem tem mais saber ser ou saber fazer..... Nos dias de hoje não interessa saber, interessa ter um papel... Não sei porque criticaram o "Eng" Socrates por ter arranjado um papel se todos andam atrás do mesmo. Não se escolhe a escola pela sua credibilidade e seriedade, escolhe-se a escola que facilita mais o atingir do nosso objectivo em ter um papel. Talvez não estivessemos preparados para ter uma licenciatura, talvez tenhamos perdido uma oportunidade de dignificar o nosso ensino dando desta forma credibilidade a nossa profissão.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Nada se perdeu...nada se transformou...

Dias felizes eram aqueles em que todos orgulhosamente festejávamos o mais que reconhecido direito do nosso curso ser uma Licenciatura de base, a criação da Ordem dos Enfermeiros, enfim momentos de esperança que nos faziam expectar por um futuro melhor.... curiosamente foi sensivelmente neste momento que as coisas estranhamente começaram a piorar.... ora vejamos.... No ensino foi o descalabro total, a proliferação de escolas de enfermagem apenas criadas com a intenção de serem autenticas fábricas de dinheiro, a reconversão e aproximação ao resto do ensino superior também não se veio a verificar estando neste momento os alunos de enfermagem alheados de um conjunto de benefícios sociais. No fim dos cursos a certeza de um emprego certo desvaneceu-se, sendo neste momento uma das maiores preocupações de quem agora termina o seu curso. No mercado de trabalho, as coisas também estão muito escuras, tão escuras como os critérios de selecção de pessoal de enfermagem em hospitais SA e centros de saúde, contratos de trabalho precários, mal remunerados e com poucas perspectivas de progressão ou vinculo... voltaram os recibos verdes, o surgimento de novos fenómenos na nossa área como o de empresas de aluguer de mão de obra. Enquanto nos deslumbrávamos com o brilho do nosso diploma de licenciado e com a nossa (des)Ordem, outros grupos profissionais aproveitaram para nos irem ganhando terreno, são os técnicos de saúde e até os auxiliares de acção médica agora têm catarro... Para as nossas especializações previa-se uma grande restruturação, isto pensando no tempo que demoraram em oficializa-las, mas (só nos acontece a nós) após anos de estudos vem tudo na mesma..... Talvez este seja o momento de viragem, exigir o que é nosso por Lei e direito adquirido! Não podemos deixar que nos calquem mais uma vez, porque irá chegar o dia em que o retorno vai ser difícil. É da nossa responsabilidade lutar pelo futuro e dignidade da nossa profissão. Deixar de remar cada um para o seu lado e apesar das divergências lutar lado a lado!